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Londres estica ao máximo a corda do Brexit: pode só haver voto uma semana antes de 29 de março

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Londres estica ao máximo a corda do Brexit: pode só haver voto uma semana antes de 29 de março

Theresa May voltou esta terça-feira à câmara dos Comuns para falar do Brexit e dizer que pode voltar à câmara dos Comuns para falar do Brexit no dia 26. Se não houver acordo antes. A primeira-ministra disse esperar que os deputados debatam esta quinta-feira emendas a o acordo do Brexit, que ela fechou com a UE27 em novembro, mas que o Parlamento britânico chumbou a 15 de janeiro, passando a ideia de que ainda há tempo para um acordo revisto sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Assim, se nada de significativo acontecer este Dia de São Valentim, May pretende, então, voltar à câmara dos Comuns no dia 26, uma terça-feira, devendo os deputados voltar a votar em emendas que venham a ser apresentadas no dia seguinte, quarta-feira, dia 27.

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Horas antes de a chefe do governo falar, a líder da câmara dos Comuns, Andrea Leadsom, não descartou a hipótese de só haver um voto no Parlamento britânico sobre um acordo do Brexit uma semana antes da data prevista para esse Brexit e que é 29 de março. Segundo a conservadora Leadsom, que falou à BBC Radio 4, um voto poderia acontecer depois do Conselho Europeu, previsto para 21 de março, a apenas oito dias do prazo limite para a saída dos britânicos. Só haverá um novo voto quando May “tiver cumprido as instruções do Parlamento, dadas há duas semanas, no sentido de que o backstop tem que ter um limite (…) A questão é saber como é que o Reino Unido não ficará preso num backstop de forma permanente. Como é que isso será conseguido é uma coisa sobre a qual não devermos ser puristas”.

Na ausência de estratégia clara, os britânicos parecem, assim, dispostos a testar os nervos da UE até ao limite. Com a sombra de um No Deal Brexit a pairar no ar. Do lado da UE, encena-se igualmente intransigência, numa demonstração de força apenas desmontada pelas declarações de pânico feitas na semana passada pelo presidente do Conselho Europeu Donald Tusk. “Tenho estado a pensar se há um lugar especial no inferno para aqueles que promoveram o Brexit sem ter um plano para o executar de forma segura”, declarou o polaco. “Alguém tem que ceder”, disse segunda-feira o francês Michel Barnier, o negociador chefe da UE para o Brexit, falando em Estrasburgo, na sede do Parlamento Europeu. A questão é saber quem, como e quando.

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Subscrever A nível interno, na guerra entre partidos, nas divergências entre as quatro nações do Reino Unido, nas disputas e tensões dentro do próprio Partido Conservador – e até do Labour – a corda também está a ser esticada ao limite. Isso mesmo está patente no debate de hoje. A obrigar mais uma vez a inúmeras intervenções do speaker da câmara dos Comuns John Bercow

Na exposição que fez hoje aos deputados britânicos, May, também líder do Partido Conservador, constatou dois factos: a UE não vai reabrir o acordo do Brexit para o renegociar e que, apesar de as equipas do governo se irem reunir amanhã com as do Labour de Jeremy Corbyn, ela e o líder da oposição trabalhista não estão de acordo em relação à necessidade de uma união aduaneira com o Reino Unido. Pedindo aos deputados que acalmem os ânimos, disse ter pedido a Bruxelas garantias sobre o backstop, ponto em que, aí sim, ela e Corbyn estão de acordo. O backstop é um mecanismo de salvaguarda destinado a evitar o regresso de uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda no pós-Brexit

Em seguida, tomando a palavra, Corbyn disse que um No Deal Brexit irá pôr empregos em perigo, que May deveria garantir que isso não acontecerá, apoiando ela o plano apresentado pelo Labour e que foi enviado para o N.º 10 de Downing Street. O líder trabalhista acusou a primeira-ministra de estar a ir até ao limite para chantagear os deputados e obrigá-los a votar o acordo fechado entre o seu governo e a UE27. Corbyn acusou May de não estar interessada em dialogar com outros partidos e de estar apenas a fingir que dialoga. Avisando que, por causa do Brexit, o Reino Unido está a perder grandes investimentos, empregos e empresas, nomeando o caso Nissan, Corbyn insistiu que a única saída é uma união aduaneira

Questionada por Yvette Cooper, deputada do Labour, sobre se, em meados de março, não tiver o apoio parlamentar a um acordo do Brexit, admite pedir a extensão do Artigo 50º, May respondeu que essa não é a solução, a única solução é aprovar um acordo. Cooper apresentou a 29 de janeiro uma moção que foi rejeitada, mas que, esta quinta-feira, poderia ser aprovada. A emenda da trabalhista e o conservador Nick Boles visa dar ao Parlamento poderes para atrasar o Brexit, garantindo uma extensão do Artigo 50º, se não houver um acordo até dia 26. Também o ex-líder do Labour, Ed Miliband, perguntou sobre se May admite pedir uma extensão do prazo do Brexit, mas, mais uma vez, ela rejeitou a opção

Mostrando como a questão do Brexit pode fragmentar o Reino Unido, o líder parlamentar do Partido Nacionalista Escocês (SNP), Ian Blackford, foi acutilante. “A primeira-ministra vive numa fantasia do Brexit. A Escócia arrastada para o Brexit contra a sua vontade. E ela vem falar do Japão? A UE diz que não vai renegociar, reabrir o acordo de retirada, que ela assinou, o que é que a primeira-ministra não percebeu? Estamos a ir contra o relógio. Fez um levantamento do impacto económico do seu acordo? Sim ou não? Pede para aprovarem o seu acordo mas nem estudou esse impacto. O acordo da primeira-ministra é uma fraude. O Reino Unido já está a sofrer o custo do Brexit. A primeira-ministra vai pôr um ponto final a isto? Se a Escócia for arrastada para fora da UE contra a sua vontade o povo da Escócia fará ouvir a sua voz enquanto nação independente” , declarou, como que ameaçando um novo referendo sobre a independência da Escócia do Reino Unido

A Escócia e a Irlanda do Norte, ao contrário da Inglaterra e do País de Gales, votaram para ficar na UE no referendo de 23 de junho de 2016 sobre o Brexit. A seguir à sua intervenção, Ian Blackford foi obrigado pelo speaker da câmara dos Comuns, John Bercow, a retirar a palavra desonestidade, que acabara de proferir. Resistindo, o líder parlamentar do SNP acedeu, retirando a palavra, mas sublinhando que o fazia penas em observância para com Bercow. O speaker, conhecido por passar estes debates a gritar Order!, Order!, Order!, pediu pediu uma discussão robusta mas respeitosa

Insistindo que o Reino Unido tem que ficar de fora do backstop – e que já transmitiu isso à UEMay, que na semana passada esteve de visita à Irlanda do Norte, garantiu que o seu governo irá honrar e respeitar o Acordo de Sexta-Feira Santa . Assinado em 1998, o acordo contempla uma fronteira sempre aberta entre Irlanda do Norte e a República da Irlanda. O acordo pôs fim a conflito sangrento que durou décadas, entre unionistas protestantes e republicanos católicos, tendo feito 3500 mortos

Questionada sobre o prazo de 21 dias, alegadamente necessário antes de haver um voto, May indicou que, isso não é fulcral, podendo a lei ser mudada para haver uma espécie de processo expresso (fast track). “Para mim esta é a confirmação de que May planeia empurrar o voto sobre um acordo do Brexit, apenas alguns dias antes da saída”, escreveu, na sua conta do Twitter, o editor executivo para a área de Política do Huffington Post Reino Unido, Paul Waugh